Uma criança, uma família, uma comunidade atingida pela xenofobia
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Por Dra. Vanessa Navarro, Advogada natural de Belém do Pará, luso-brasileira, Embaixadora da Revista Destake News Business, colunista do portal Destake News, e Jornal Destake News Gospel em Portugal, sócia proprietária da empresa VN Advocacia, com escritórios em Lisboa e no Porto, Membro da ABA – Associação Brasileira de Advogados, integrante da Comissão de Direitos Humanos do Brasil em Portugal, Membro também do BNI em Portugal, que significa Business Network International, a maior organização de networking profissional de negócios e referenciação do Mundo, Membro também da BPW em Lisboa, ONG que ajuda Mulheres em situação de vulnerabilidade em todo o mundo., na data de 16 de novembro de 2025.
Na última semana a comunidade brasileira em Portugal foi surpreendida por mais um incidente de Xenofobia, desta vez uma criança de nove anos teve três dedos decepados dentro de uma escola pública em Viseu, no Planalto Beirão, Centro – Norte de Portugal, na província da Beira Alta e sub-região do Dão – Lafões.
A criança já vinha sendo agredida na Escola Básica Fonte Coberta, onde estuda, por colegas de classe, inclusive chegou a ser asfixiado pelos colegas, tudo isso vida ocorrendo há algum tempo, a mãe procurou a direção para comunicar o que se estava a passar, mas a escola não tomou qualquer providência, não deu importância.
No fatídico dia, durante um intervalo de aula a criança foi arrastada por dois colegas da mesma idade até a casa de banho, na sequência os dois meninos fecharam abruptamente uma porta em uma das mãos da criança, que na hora teve as pontas de três dedos decepadas, a criança gritou pedindo socorro, mas ninguém apareceu, precisou arrastar-se por debaixo da porta para conseguir sair da casa de banho.
Uma funcionária ao ver o menino e o local do incidente cheio de sangue passou mal, não conseguiu socorrer a criança, outras inspetoras vieram, na sequência a professora foi avisada, depois de mais de 30 minutos a criança foi levada ao hospital de ambulância. A mãe, Nívea Stelman, recebeu uma ligação da professora dizendo que a criança brincando com alguns colegas havia se machucado, mas não informou a gravidade do que se passou, a criança só foi conduzida ao hospital 30 minutos depois, precisou passar por três horas de cirurgia, e pelo relato dos médicos irá ficar com sequelas físicas, e óbvio, também psicológicas.
O despreparo das pessoas que trabalham na escola é de uma dimensão tão grande que o local do acidente não foi preservado, limparam tudo, jogaram foram duas das pontas dos dedos da criança, e a polícia não foi chamada para registar a ocorrência. Apenas uma das pontas dos dedos da criança foi preservada e com ela o menino teve parte de um dedo reconstruído. Tudo foi tratado de forma banal, sem darem importância à gravidade da situação.
Nívea Stelman, que está gravida de 3 meses, procurou a PSP, e para sua surpresa ouviu do “polícia”, como se diz em Portugal, “que eles não iam registar queixa alguma, pois se a escola afirmou que nada demais aconteceu, que foram só crianças brincando, eles não iriam registar nada”
Ficou muito claro para a mãe do menino que pelo facto de ela ser imigrante e o filho ser negro e gordo eles não iriam fazer nada. Escola e Polícia se omitiram.
Somente depois que a mãe da criança resolveu tornar o caso público, com a divulgação nas redes sociais, a imprensa divulgou e uma Advogada se colocou a disposição para ajudar no que for preciso. Recentemente mais um grupo de 18 Advogados brasileiros e portuguesas reuniram-se para atuar no caso, nas esferas civil e criminal, para apurar o que se passou, crime de lesão corporal grave e responsabilizar a escola por negligência.
A Inspeção Geral da Educação e Ciência tomou conhecimento do fato é abriu um processo para apurar o que realmente aconteceu, a pedido do Diretor Geral das Escolas, a investigação agora é nacional. O Bloco de Esquerda quer providências. A Escola Básica Fonte Coberta terá que responder pela negligência e pelo descaso.
Trata-se de mais um caso flagrante de xenofobia, ressalta-se que a mãe da criança tem dupla nacionalidade, vive em Portugal há 8 anos, trabalha e contribui com seus impostos. E na hora em que precisou da polícia não teve apoio algum, pelo contrário, foi tratada com desdém por ser brasileira.
É lamentável ver o ponto em que Portugal chegou no quesito “xenofobia”, se fosse um caso isolado, mas são diversos casos, um após o outro, fora os casos que não chegam ao conhecimento público, pois a maioria das pessoas têm medo e não denuncia.
Algo precisa ser feito urgentemente, o governo do Brasil vai lançar uma campanha para combater o preconceito e os ataques de xenofobia aos brasileiros que vivem em território português. O tema preocupa a toda diplomacia.
Um estudo da Casa do Brasil em Lisboa alerta para o aumento dos casos de xenofobia. Metade dos portugueses diz que há brasileiros demais no país.
A Campanha Presidencial de André Ventura, líder do Bloco de Direita, é baseada em pura xenofobia contra negros, e todos os imigrantes. Os cartazes espalhados pelo país são compostos de frases que são pura discriminação e xenofobia.
Durante um debate na Assembleia da República a Deputada Socialista, Eva Cruzeiro, acusou André Ventura de ser racista e xenófobo, na sequência foi insultada pelo deputado Felipe Melo, que disse à colega: “VAI PARA A SUA TERRA”.
Mas a Deputada está na sua terra, e foi a resposta que ela deu “EU ESTOU NA MINHA TERRA”, ela nasceu em Portugal, mas é negra.
Para o Embaixador do Brasil em Portugal o que falta é educar o povo português, mas também punir, pois sem punição para quem pratica discriminação e xenofobia, e para quem incita o ódio e a violência isso não terá fim.

Felizmente recentemente um Extremista que atacava brasileiros no “X”, antigo Twitter, cujo nome no X é @BrunoSilva, foi preso porque divulgou na rede social que ofereceria um apartamento avaliado em 400.000,00 (quatrocentos mil) euros para quem trouxesse pelo menos 100 brasileiros mortos, e ainda um bônus de 100.000,00 (cem mil) euros para quem lhe trouxesse morta a jornalista Stefani Costa, correspondente do site Ópera Mundi. Outro que foi preso também foi o homem que divulgou no “Tik Tok” “que oferecia 500 (quinhentos) euros para quem lhe trouxesse a cabeça de um brasileiro cortada rés ao pescoço, porque é preciso exterminar essa raça”.
PRESO O HOMEM QUE OFERECEU 500 EUROS PARA CADA PORTUGUÊS QUE LHE TROUXESSE A CABEÇA DE UM BRASILEIRO










