Reino Unido aprova lei que proíbe cigarro para os nascidos a partir de 2009 e cria geração sem acesso ao tabaco
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O Reino Unido deu um passo inédito no combate ao tabagismo ao aprovar uma lei que impede, de forma permanente, a compra de cigarros por pessoas nascidas a partir de 2009. A medida cria o que especialistas já chamam de “proibição geracional” e pode marcar uma das mudanças mais radicais já adotadas na política de saúde pública do país.
Pela nova regra, a idade mínima para comprar produtos de tabaco deixará de ser fixa e passará a subir gradualmente ao longo dos anos. Na prática, isso significa que adolescentes de hoje poderão chegar à vida adulta sem nunca terem o direito legal de adquirir cigarros.
Segundo o governo britânico, o objetivo é ambicioso: reduzir drasticamente o número de fumantes e, no longo prazo, formar uma geração inteira livre da dependência da nicotina. A justificativa se apoia no impacto do tabagismo sobre o sistema de saúde. Apenas na Inglaterra, o cigarro é associado a cerca de 64 mil mortes por ano, além de centenas de milhares de internações e bilhões de libras em custos médicos.
A estratégia representa uma mudança significativa na abordagem recente do país. Nos últimos anos, o Reino Unido chegou a incentivar o uso de cigarros eletrônicos como alternativa ao cigarro tradicional para fumantes adultos, dentro de uma política de redução de danos. No entanto, o aumento do uso entre jovens e preocupações com dependência de nicotina levaram ao endurecimento das regras também para esses dispositivos.
Com a nova legislação, não apenas o cigarro convencional, mas também os cigarros eletrônicos passam a ser incluídos nas restrições permanentes para quem nascer após 2008. Hoje, esses produtos já são proibidos para menores de 18 anos e possuem limitações de publicidade e exposição no varejo.
A medida ainda deve ser implementada de forma gradual, mas já é vista como um marco na política antitabagismo global — e um experimento de longo prazo sobre até que ponto o Estado pode intervir para impedir hábitos considerados nocivos desde o início da vida adulta.











