Câncer: uma tecnologia inovadora elimina até 99% das células cancerígenas em laboratório, mas ainda está em fase experimental
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Uma técnica inovadora desenvolvida por pesquisadores norte-americanos tem chamado a atenção da comunidade científica por apresentar resultados promissores no combate ao câncer em estudos pré-clínicos. Conhecida como “britadeira molecular”, a tecnologia eliminou até 99% das células cancerígenas em laboratório e levou à remissão completa do tumor em cerca de metade dos camundongos tratados, utilizando um mecanismo totalmente diferente das terapias convencionais.
O estudo foi conduzido por cientistas da Rice University, da Texas A&M University e da University of Texas, sendo publicado inicialmente, em 2023, na revista científica Nature Chemistry. Em 2024, os pesquisadores divulgaram novos resultados na revista Advanced Science, aprofundando as análises sobre a segurança e o comportamento da tecnologia em células saudáveis.
Como funciona a técnica
A chamada britadeira molecular utiliza moléculas da classe das aminocianinas, corantes sintéticos já empregados há décadas em exames de imagem. Quando essas moléculas são ativadas por um feixe de luz infravermelha próxima, passam a vibrar em altíssima velocidade, provocando o rompimento físico da membrana das células tumorais.
Segundo os pesquisadores, essa vibração alcança aproximadamente 40 trilhões de oscilações por segundo, gerando uma força mecânica suficiente para destruir a célula cancerígena sem recorrer à quimioterapia, radioterapia ou procedimentos cirúrgicos.
Nos experimentos realizados em cultura celular, o método eliminou 99% das células cancerígenas expostas ao tratamento. Em modelos animais com melanoma, aproximadamente metade dos camundongos apresentou eliminação completa do tumor.
Um mecanismo diferente
Ao contrário das terapias convencionais, que atuam por mecanismos químicos ou biológicos, a britadeira molecular exerce uma ação mecânica diretamente sobre as células doentes.
De acordo com o químico Ciceron Ayala-Orozco, um dos autores do estudo, trata-se da primeira demonstração de um plásmon molecular sendo utilizado para gerar uma força mecânica capaz de romper seletivamente a membrana de células cancerígenas.
Os pesquisadores destacam que esse tipo de abordagem poderá representar uma vantagem importante no futuro, uma vez que mecanismos mecânicos tendem, em teoria, a oferecer menor possibilidade de desenvolvimento de resistência pelas células tumorais — um dos grandes desafios enfrentados pelos tratamentos oncológicos atuais.
Segurança também foi avaliada
Na pesquisa publicada em 2024, a equipe concentrou esforços na avaliação da segurança da tecnologia. O objetivo foi verificar o comportamento das moléculas que permanecem no organismo sem serem ativadas pela luz infravermelha.
Os resultados indicaram que, em baixas concentrações, essas moléculas foram rapidamente absorvidas e eliminadas por células saudáveis, sem evidências de acúmulo tóxico, um dado considerado relevante para futuras aplicações clínicas.
Embora os resultados sejam animadores, os próprios pesquisadores ressaltam que a técnica ainda está em fase experimental.
Ainda não disponível para pacientes
Especialistas reforçam que os estudos realizados até o momento envolveram apenas culturas de células e modelos animais. Antes que a tecnologia possa ser utilizada em pacientes, ainda será necessário passar por diversas etapas de pesquisa, incluindo ensaios clínicos em seres humanos para confirmar sua eficácia, segurança e possíveis efeitos adversos.
É importante lembrar que muitos tratamentos apresentam resultados extremamente positivos nas fases pré-clínicas, mas precisam ser validados em estudos clínicos antes de integrarem a prática médica.
Assim, a britadeira molecular representa uma das linhas de pesquisa mais promissoras da oncologia contemporânea, mas ainda não substitui os tratamentos atualmente disponíveis. Caso sua eficácia seja confirmada nas próximas etapas, poderá futuramente ampliar as opções terapêuticas para diferentes tipos de câncer, oferecendo uma abordagem inovadora baseada na destruição mecânica das células tumorais.











