União Europeia reforça estratégia de preparação para crises e orienta população a manter suprimentos para 72 horas
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Comissão Europeia apresenta novas diretrizes de proteção civil, educação preventiva e comunicação de riscos. Estratégia lançada em 2025 prevê 30 ações prioritárias e ganha novas medidas em novembro de 2026.
A União Europeia está ampliando suas iniciativas de preparação para situações de emergência, com medidas destinadas a fortalecer a capacidade de resposta dos Estados-membros e orientar a população sobre como agir diante de diferentes tipos de crises. Entre as recomendações está a manutenção de suprimentos essenciais para garantir autonomia por pelo menos 72 horas, período considerado importante enquanto os serviços públicos de assistência são mobilizados.
As medidas integram a Estratégia da União Europeia para a Preparação (Preparedness Union Strategy), lançada pela Comissão Europeia em 26 de março de 2025. O plano contempla 30 ações prioritárias e busca aprimorar a capacidade europeia de antecipar, prevenir e responder a ameaças como desastres naturais, crises sanitárias, ataques cibernéticos, conflitos e interrupções de serviços essenciais.
Em 3 de novembro de 2026, a Comissão Europeia anunciou novas orientações para fortalecer a preparação da população. A apresentação ocorreu durante o Fórum Europeu de Proteção Civil, com participação da comissária para Igualdade, Preparação e Gestão de Crises, Hadja Lahbib.
Preparação para as primeiras 72 horas
Uma das principais recomendações é que os cidadãos estejam preparados para atender às suas necessidades básicas durante os três primeiros dias de uma emergência. A orientação prevê a organização de suprimentos essenciais e de uma mochila de emergência, considerando situações em que o acesso a serviços públicos e recursos básicos possa sofrer interrupções.
As diretrizes também contemplam quatro áreas: autossuficiência durante as primeiras 72 horas, educação para a preparação desde a infância, inclusão de pessoas com deficiência nos planos de emergência e comunicação eficiente sobre riscos e ameaças.
A Comissão Europeia também recomenda que os conteúdos de preparação sejam incorporados à educação infantil e ao ensino fundamental, com atividades adequadas à idade dos alunos e capacitação de educadores.
No campo da inclusão, as orientações destacam a necessidade de considerar as condições e necessidades das pessoas com deficiência nos planejamentos de emergência.
Proposta de Dia Europeu da Preparação
Outro anúncio apresentado em novembro de 2026 foi a proposta de criação do Dia Europeu da Preparação, com celebração prevista para 23 de outubro de cada ano, a partir de 2027.
A data foi escolhida em referência à criação do Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia, em 23 de outubro de 2001. O mecanismo coordena a cooperação entre países europeus em operações de assistência e resposta a catástrofes.
A proposta ainda prevê articulação com o Parlamento Europeu, o Conselho da União Europeia, o Comitê Econômico e Social Europeu e o Comitê das Regiões para a elaboração de uma declaração conjunta de apoio à iniciativa.
Continuidade dos serviços de proteção civil
As novas orientações também são acompanhadas por uma recomendação sobre continuidade operacional e testes de resistência dos sistemas nacionais de proteção civil.
O objetivo é ajudar os Estados-membros e os países participantes do Mecanismo de Proteção Civil a manter seus pontos de contato nacionais em funcionamento mesmo diante de situações que provoquem interrupções significativas.
O documento apresenta orientações para elaboração de planos de continuidade operacional e realização periódica de testes, buscando assegurar que a coordenação europeia de assistência permaneça disponível permanentemente.
Segundo a Comissão Europeia, as recomendações têm caráter não vinculativo e servem de orientação para o desenvolvimento das iniciativas nacionais.
Estratégia europeia reúne 30 ações prioritárias
A política de preparação foi estruturada em março de 2025, quando a Comissão Europeia e a Alta Representante da União Europeia apresentaram a Estratégia da União para a Preparação.
O documento estabelece ações em diferentes áreas, entre elas a proteção de serviços essenciais, como hospitais, escolas, transportes e telecomunicações; o reforço dos estoques de equipamentos e materiais estratégicos; a adaptação às mudanças climáticas; e a garantia de disponibilidade de recursos naturais fundamentais, como a água.
O plano também prevê o aprimoramento dos sistemas de alerta, a realização de exercícios conjuntos envolvendo equipes civis e militares, a cooperação entre os setores público e privado e o desenvolvimento de avaliações abrangentes de riscos e ameaças.
Outro eixo é a cooperação com parceiros externos, incluindo a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em áreas como mobilidade militar, segurança climática, tecnologias emergentes, cibersegurança e defesa.
Preparação como responsabilidade compartilhada
A Estratégia da União Europeia para a Preparação foi elaborada com base, entre outras referências, nas recomendações do Relatório Niinistö, que apontou a necessidade de fortalecer a capacidade civil e militar europeia diante dos desafios de segurança, saúde, migração, tecnologia, clima e economia.
A Comissão Europeia defende uma abordagem que envolva diferentes níveis de governo e setores da sociedade, incluindo autoridades públicas, empresas, organizações civis, instituições científicas e cidadãos.
Com as novas diretrizes anunciadas em novembro de 2026, a União Europeia dá continuidade à implementação da estratégia lançada no ano anterior, ampliando as orientações destinadas à preparação individual e coletiva para situações de emergência.
Fonte: Comissão Europeia – Direção-Geral da Proteção Civil e das Operações de Ajuda Humanitária Europeias (ECHO). Comunicados de 26 de março de 2025 e 3 de novembro de 2026.











