“Ame por mim o que eu não pude amar”: a influência de Isabel Veloso além das redes sociais
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“Viva por mim o que eu não pude viver.”
A frase, dita por Isabel Veloso ao receber o diagnóstico de câncer ainda na adolescência, sintetiza a mensagem que atravessou sua trajetória e ajuda a explicar por que sua influência ultrapassou os limites das redes sociais.
Isabel descobriu um linfoma de Hodgkin em outubro de 2021, aos 15 anos, após a identificação de tumores no pescoço e no tórax que comprometiam sua respiração e pressionavam o coração. A partir daquele momento, ela passou a compartilhar publicamente a rotina de tratamento, internações e desafios impostos pela doença, transformando a própria experiência em um espaço de diálogo, acolhimento e conscientização.
Ao longo dos meses seguintes, Isabel mostrou os efeitos da quimioterapia, incluindo a queda de cabelo, e celebrou o fim do tratamento inicial em março de 2022. Dois meses depois, no entanto, revelou que o câncer não havia respondido como esperado. Foi então submetida a um transplante de medula óssea autólogo e, em janeiro de 2023, anunciou que havia vencido a doença. Até setembro daquele ano, seguiu em imunoterapia para reestabelecer a saúde.
Em janeiro de 2024, Isabel voltou às redes sociais para comunicar uma nova recidiva. O câncer, segundo os médicos, havia sido classificado como terminal. Ainda assim, manteve uma postura marcada pela fé e pela serenidade. “Ter um câncer que não possui mais cura dói, e muito, mas saber que tenho o Senhor comigo, bem como as pessoas que amo, tudo se faz mais leve”, afirmou à época.
Mesmo diante de um prognóstico adverso, Isabel escolheu viver com intensidade. Casou-se, tornou-se mãe e passou a compartilhar também a rotina da maternidade em meio ao tratamento oncológico. Esses registros ampliaram o alcance de sua mensagem e ajudaram a desconstruir a ideia de que a vida precisa ser colocada em pausa diante do adoecimento.
Em maio de 2025, ela anunciou que havia entrado novamente em remissão e se preparava para um novo transplante de medula óssea, desta vez com doação do pai, que apresentou 60% de compatibilidade. O procedimento ocorreu com sucesso e Isabel recebeu alta antes do esperado. No entanto, 17 dias depois, precisou retornar ao hospital após uma crise respiratória causada por excesso de magnésio no sangue. Ela foi internada na UTI e morreu em decorrência de complicações relacionadas ao transplante.
Um legado que permanece
Com 4 milhões de seguidores, Isabel construiu uma audiência expressiva. Mas sua influência não se mede apenas em números. Em meio à dor, foi exemplo como mãe e esposa, marcada pela fé e pela gratidão. Ao longo de quase quatro anos de tratamento, contribuiu para ampliar o debate sobre o câncer entre jovens, humanizou a experiência do adoecimento e fortaleceu redes de apoio emocional para pacientes e familiares.
A frase que hoje ecoa como despedida — “Ame por mim o que eu não pude amar” — não se apresenta como um apelo ao luto, mas como um convite à vida, ao cuidado com os vínculos e à valorização do tempo presente, mesmo em contextos de incerteza.
Isabel Veloso morreu aos 19 anos. A morte foi confirmada no sábado, dia 10, por meio de uma publicação do marido, Lucas Borbas, nas redes sociais. Ainda assim, ela deixou um legado que ultrapassa o noticiário imediato. Sua história permanece como exemplo de coragem, autenticidade e propósito — e como lembrança de que viver também é um ato de resistência.











