Josué Valandro Jr: A voz que se levanta com coragem e compaixão pelo RJ
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O Rio de Janeiro amanheceu, mais uma vez, com o som das sirenes e o eco das rajadas de tiros.
A “megaoperação” das forças de segurança realizada nesta terça-feira (28) no Complexo do Alemão e da Penha, Zona Norte da cidade, deixou 64 mortos entre policiais e suspeitos, segundo informações oficiais.
Imagens gravadas por moradores mostraram um cenário de guerra, com quase 200 disparos em apenas um minuto. Barricadas em chamas, colunas de fumaça e o desespero de inocentes retrataram, mais uma vez, a tragédia cotidiana de quem vive nas comunidades do Rio.
O episódio, considerado a operação mais letal da história do estado, reacendeu o debate sobre o papel das forças de segurança, a omissão das autoridades e a ausência de soluções estruturais que possam, um dia, devolver à cidade o direito mais básico: o de viver em paz.
Em meio à comoção, o pastor Josué Valandro Jr., líder da Igreja Batista Atitude, decidiu romper o silêncio.
Com palavras firmes e compassivas, ele fez um apelo à consciência coletiva — um clamor por justiça, disciplina e fé em tempos em que o caos ameaça se tornar rotina.
“Que situação o Rio de Janeiro vive hoje? Anos de problemas que não são solucionados”, iniciou o pastor, ao refletir sobre as origens dessa crise que parece interminável.
“Interferência do Judiciário, interferência de políticos de alguns partidos, prejudicando que as pessoas que moram em comunidades tenham acesso ao direito de todo cidadão de ir e vir sem precisar ter armas e violência.”
A fala expõe um sentimento compartilhado por muitos: o de que as raízes da violência no Rio não estão apenas nos morros, mas também nos gabinetes e instituições.
Décadas de descaso, corrupção e decisões judiciais contraditórias deixaram a cidade refém de um sistema que nem pune de forma justa, nem previne de forma inteligente.
“Morrem pessoas de um lado e de outro, e Deus ama todos”, lembrou Valandro, num tom de empatia que contrasta com a frieza das estatísticas.
“Não é bom ver bandidos sendo mortos. Não é bom ver policiais sendo mortos. Não é bom ver violência.”
Numa sociedade cada vez mais polarizada, o pastor trouxe uma mensagem rara: a valorização da vida humana acima de qualquer ideologia.
Ele lembrou que cada morte — seja de um policial, seja de um jovem envolvido no crime — representa um fracasso coletivo.
O sangue derramado, em vez de ser motivo de aplauso, deveria ser o alerta final de que algo está profundamente errado.
“O segredo da paz é a disciplina e a coerência. É termos leis cumpridas e não facilitar para que alguém ache que fazer qualquer coisa vai gerar impunidade.”
Aqui, o pastor toca no cerne da questão: sem cumprimento de leis e sem coerência moral, não há paz possível.
O combate à criminalidade precisa ser firme, mas também justo, e jamais pode confundir justiça com vingança.
Valandro defende a disciplina como caminho de reconstrução — uma disciplina que começa nas autoridades e se estende a toda a sociedade.
A operação gerou uma série de questionamentos sobre os limites da ação policial e a necessidade, ou não, de uma GLO (Garantia da Lei e da Ordem), medida que permite o uso das Forças Armadas em situações de grave perturbação da ordem pública.
O governador Cláudio Castro (PL) afirmou que o governo federal “se recusou a decretar a GLO” e que está “sozinho” no enfrentamento ao crime.
Já o Palácio do Planalto respondeu que não recebeu nenhum pedido formal de GLO.
A disputa política, entretanto, parece pequena diante da dimensão humana da tragédia.
“O que nos resta agora? Orar. Pedir a Deus que tenha misericórdia da nossa cidade. Pedir a Deus que as autoridades trabalhem com justiça, que apliquem as leis e que promovam de verdade um sentimento naquele que pensa em ir para o crime, de que isso não vai valer a pena.”
A fala do pastor transforma a indignação em oração e responsabilidade.
Não é um apelo à passividade, mas à mudança espiritual, e moral que deve acompanhar qualquer transformação social.
Ele recorda que o verdadeiro poder está em Deus, mas também na consciência de cada cidadão que se recusa a aceitar a violência como destino.
“Inocentes vão morrer. Jovens que estão até na bandidagem, mas não precisariam estar. Bastaria que alguém lhes desse um outro caminho.”
Essas palavras são um golpe de realidade.
A tragédia da Megaoperação mostrou que muitos dos mortos sequer deveriam estar no front são jovens sem oportunidades, sem perspectiva, sem direção.
Valandro lamenta o que poderia ter sido evitado se houvesse educação, acolhimento e fé, antes que as armas falassem mais alto.
“Que sejamos uma voz de apoio e de amor às pessoas, para que desistam do crime e decidam viver para Deus.”
Em meio à dor, ele propõe um caminho de reconstrução: o amor como resposta ao ódio, a solidariedade como antídoto para a indiferença, a fé como base de uma justiça que humaniza.
A voz de Josué Valandro Jr. ecoa, portanto, como um manifesto espiritual e cívico, que chama cada carioca — cristão ou não — a ser parte da solução, e não da violência.
“Que Deus tenha misericórdia da nossa cidade. Que as leis sejam cumpridas. E que o Rio de Janeiro volte a ser conhecido pela vida, e não pela violência.”
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